O Que Não te Contaram Sobre a Maternidade

Eu amo ser mãe! Gosto de tudo, desde o exame de sangue POSITIVO até a barriga superpesada.

 

Mas sabe que eu também adoro ser eu mesma? Tipo, aquela sensação de liberdade, de que não há ninguém dependente de você… Mas só às vezes.

 

Quando eu decidi ficar grávida – sim, minha gravidez foi planejadíssima, se brincar, sei até o dia da concepção, rs – eu já queria ser mãe. Falei pro meu marido que sentia que algo faltava em nossas vidas.

 

 

Tínhamos nossos empregos, nossa casa, nossos gatinhos, nossa vida estava relativamente boa, mas parecia que nesta receita faltava sal.

 

Decidimos começar nossos treinos e em dois meses, tínhamos nosso positivo na mão – 25 de julho de 2011. Lembro – me desta data porque seria o dia de mais um aniversário do meu pai se estivesse vivo, e pensei como seria legal embrulhar aquele exame e dar-lhe de presente.

 

O Que Não te Contaram Sobre a Maternidade

 

E tudo ficou mágico! Apesar de toda a turbulência que enfrentamos no início – que não vem ao caso agora porque é história para outro dia – foi muito bom. Amava me olhar no espelho e ver minha barriga crescendo todos os dias um pouquinho.

 

Os movimentos da barriga, nossa, como eu amava senti-los. A ansiedade em saber o sexo da criança, os hormônios que acabavam com meu bom humor.

 

Os desejos e os enjoos que não tive – sim, há grávidas que não sentem desejos nem enjoos – mas de quebra, a azia que me consumia e me fazia andar pela casa chorando de desespero e imaginando se não seria melhor sentir enjoos.

 

Das roupas que não podia escolher, mas das que me escolhiam, e era sempre a mesma coisa: legging e bata, vestidos, e uma ou duas calças jeans que serviram até o fim. Por sorte, fui aquela típica grávida que só teve a barriga. 🙂 

 

O Que Não te Contaram Sobre a Maternidade

E o medo do parto, apesar de ter a decisão desde antes da gravidez que seria uma coisa, mas o medo dos planos “furarem” existiu até o último dia. Ah, e que dia foi aquele!

 

Soube finalmente o que era a “dor do parto”. Mas vou te contar uma coisa: parece que eu sabia exatamente como era. Sabia exatamente o que tinha de ser feito e não fiquei tão apreensiva como achei que ficaria.

 

E ao pegar aquele pacotinho no colo e sentir sua pele quentinha na minha, não conseguia nem prestar atenção direito em seu choro ou em qualquer coisa que estivesse ali naquele instante.

 

Só no contato de nossa pele. E ela se foi. Mas não para onde você pensou, mas para onde levam os bebês nas maternidades, onde pesam e limpam e vestem e tudo mais.

 

Nesse momento, eu ouvi o choro dela. E me doeu a alma.

 

Ao voltar pro quarto, foi bom ver pessoas amadas lá. E a ansiedade em tê-la logo comigo me consumia. Então ela chegou! Linda, vestida e com lacinho na cabeça, um amor!

 

Mas não a peguei no colo, tive medo! Nossa, que sensação estranha, parecia que eu a quebraria! Mas já me disseram que bebê não quebra, eu não sei, nunca acreditei nisso!

 

Ao chegar em casa com aquele pequeno volume nos braços, andava de uma lado a outro e pensava “Meu Deus, e agora?” Não sabia mesmo o que fazer…

 

O Que Não te Contaram Sobre a Maternidade

 

Aquela noite, eu não dormi. Coloquei-a no berço, sentei na cadeira ao lado, coloquei minhas pernas em cima de um banquinho e a vi dormir. Tocava seu corpo o tempo todo pra saber que estava ali mesmo, era de verdade, e prestava a atenção em sua respiração e ficava virando-a de hora em hora porque tinha medo da cabeça ficar amassada… Mal sabia eu que nunca mais dormiria como antes!

 

Os seios doíam muito. Nossa, eu mordia meu dedo toda vez que ela começava a sugar para mascarar a dor. A água do banho queimava ainda mais meus bicos. Jesus, como doía! Mas doía mais quando ela chorava.

 

E me olhava no espelho todos os dias e pensava onde eu estava! Me sentia estranha, amarela, despenteada, de camisola, suja de leite ou qualquer outra coisa do bebê. Era isso: eu era a mãe do bebê. Só isso. Nem nome eu tinha mais.

 

Mas tudo bem. Eu tinha uma missão muito importante, era o que eu queria a tanto tempo, então pronto. Tinha que ser feliz. E eu era. Mas às vezes, eu era triste.

 

Sentia falta de tantas coisas. De andar de bicicleta, de andar no banco da frente do carro, de andar de moto, de sair à noite, de tomar cerveja – por que não? – de fazer tantas coisas que estavam ficando distantes de mim.

 

Mas mesmo assim, eu era feliz, mas às vezes, eu era triste.

 

O Que Não te Contaram Sobre a Maternidade

 

O tempo passava e ela crescia mais e mais, linda, saudável, falava mais que um papagaio, e mesmo que eu não entendia uma palavra sequer, era a coisa mais incrível do mundo.

 

Ela sempre foi a coisa mais incrível do mundo. E se tem um fato indubitável neste mundo é que a cria da gente sempre será a coisa mais incrível do mundo. Ponto final.

 

Mas mesmo tudo indo tão bem, por que será que eu me sentia sempre tão culpada por tudo? Acho que é sina de mãe…

 

O dia dos primeiros passos. Que lindo que foi vê-la me gritando e andando. Achei tão lindo, pena não ter conseguido filmar, foi tão de repente. Só espero que minhas memórias durem muito.

 

Ah, como esquecer o primeiro dia na creche… Quem chorou não foi ela. No máximo fez um bico. Mas eu chorei. Foi muito horrível sair daquele lugar sem ela. Mas era pro bem dela e foi a melhor decisão.

 

E conforme o tempo passa, rola tanta coisa: ciúmes do pai, porque eu sempre achei que ela ama mais a ele. Mas tudo bem, eu também o amo muito, então faz sentido. Mas, às vezes, isso dói.

 

E o tempo passa e vai levando tudo embora neste mundo chamado maternidade, que não pode ser ensinado, não existe tutorial que ensine uma mulher a ser mãe. As coisas acontecem sozinhas.

 

A única coisa que eu acredito que uma mãe gostaria de aprender é a congelar o tempo – bom, era o que eu gostaria de fazer – pra ficar ali, parada naquela hora, naquele sorriso, naquela risada, naquele soninho, naquele banho, naquela brincadeira, naquele momento mais precioso, qualquer um, pra poder ficar mais um pouquinho.

 

Mas não é fácil. Nunca foi e acredito que nunca será. Toda mãe sente vontade, um dia, de sumir. Sumir mesmo, tipo, pegar a bolsa e sair sem olhar pra trás. Nossa, quantas vezes, durante o banho, arquitetava minhas fugas… Rs, ainda bem que eram só na minha cabeça. Duvido que conseguiria passar muito tempo longe do meu bebê.

 

Nossa, e o cheirinho “azedinho” do pescoço! Que coisa mais gostosa. Eu amo até hoje cheirar o pescoço dela, e olha que nem é mais bebê, segundo dizem, mas pra mim é.

 

O Que Não te Contaram Sobre a MaternidadeO pé sujo em cima da minha cama de lençol limpo. As mãos sujas pelas paredes. Os rabiscos pela casa inteira, ah, e como esquecer os brinquedos. Eu já desisti. Fazem parte da decoração!

 

As músicas infantis que a gente canta mais que eles. Os desenhos animados. As historinhas inventadas na hora. Os improvisos. As brincadeiras que acabam virando machucados.

 

Nunca me contaram como seria isso tudo. Na verdade, a gente até tenta pegar uma coisinha aqui, uma ali, mas nunca será como uma receita: vez ou outra, vai ficar gostoso. Vai ficar ruim, amargo. Outrora, vai ser engraçado, horrível, como tudo na vida. Mas seria tão mais fácil já saber desde o início que a gente, quando vira mãe, NUNCA MAIS é a mesma. E nem quer mais ser.

 

Essa coisa de sentir saudade de coisas de antes do bebê ainda existe. É tão bom andar de bicicleta – com ela. Sair de carro – com ela. Sair à noite para comer algo – com ela. Sempre com ela.

 

E me pergunto se vai ser sempre assim. Tipo, será que daqui a alguns anos, quando ela estiver mais velha, vai querer estar com a gente, em uma lanchonete, comendo pastel? Isso me dá um pouco de medo, mas torço para que, quando acontecer, o desenlace seja fácil.

 

Não sou a melhor mãe do mundo não, mas tento ser. Na verdade, me considero uma mãe “ruim”. Cobro responsabilidades dela, não faço tudo que ela quer, não dou tudo que ela quer, mas sempre mostro que ela tem que ter aquilo que precisa. E pronto, ela entende.

 

Tenho planos de gravidez, para logo, já que a segunda tentativa não deu muito certo. Vou para meu terceiro treino daqui a alguns meses. E fico me perguntando se essa é a melhor opção. Ela já está tão independente, por que começar de novo?

 

E então, penso que seria incrível poder sentir tudo isso de novo, e mesmo já sabendo mais ou menos como funcionam as coisas, também sei que será tudo novidade. E tenho medo, mas da primeira vez também tive e foi tão lindo!

 

A maternidade é um mundo paralelo que só quem vive nele, seja de sangue ou não, sabe o que é. Quer ter uma tarde boa com uma mãe? Fale sobre os filhos. Como é gostoso falar dos nossos filhos!

 

Gostoso em todos os sentidos: falar bem, de como eles são lindos e inteligentes e bonzinhos, mas é gostoso também desabafar! Quando a gente quer reclamar dos filhos, não dá pra ser com a própria mãe, nem com o pai da cria. O legal é arrumar uma amiga que também é mãe. Ela vai te entender em tudo!

 

O Que Não te Contaram Sobre a MaternidadeSei que amo ser mãe. Sei que não me imagino sem esse serzinho ao meu pé. Também sei que mesmo ela tendo apenas quase 6 anos, parece estar conosco há uns 100! Ela sabe como a gente funciona, melhor que a gente a ela, e é uma delícia descobrirmos coisas novas juntas.

 

Eu amo ser mãe! Principalmente a mãe dela! E quero ser mãe dela pra sempre!

 

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